quinta-feira, abril 15, 2010

Tributo aos Heróis de Sempre

Nas tragédias infelizmente cotidianas de nossas cidades, e agora até mesmo no exterior, comove-me às lágrimas testemunhar a abnegação, a determinação e o heroísmo de nossos Bombeiros Militares, que incansavelmente, colocando em risco suas próprias vidas, se esmeram em salvar as das vítimas de todo os tipos de infortúnio. Em se tratando de Brasil, imagino o quão abnegados esses homens e mulheres precisam ser para abraçar tão difícil profissão diante de tantas adversidades. Na semana passada entretanto, todas essas virtudes ganharam forma e nome ao serem sublimemente retratadas na foto em que o sargento bombeiro Luis Carlos dos Santos é consolado pelo pai do menino de 8 anos a quem ele havia prometido salvar, mas quis o destino ou os Desígnios de Deus que assim não fosse. Sargento Luis Carlos, sua dor e a de seus companheiros também é a dor dos que gostariam poder estar ombro-a-ombro com vocês e que têm em suas mãos a melhor representação de nossa vontade. Sabemos que não se pode vencer todas as infindáveis batalhas, mas o saldo das Vitórias em muito superam as eventuais perdas. Não esmoreça jamais. A bravura de vocês nos dignifica, nos honra e em grande parte, nos redime.

O Quê Há de Errado com Niterói?

A orgulhosa (dita) quarta cidade em qualidade de vida do país foi duramente atingida pelo dilúvio da semana passada: se além de notarmos que o número absoluto de vidas fatais, antes da vergonhosa tragédia do morro do Bumba, já era quase o dobro das fatalidades da cidade do Rio, que tem da ordem de 12 vezes a sua população, verificamos que a taxa de casualidades per-capta da “cidade sorriso” foi algo entre 20 e 25 vezes a sofrida pela capital. Como se explica isso? Sabemos, mesmo sem medir (o único pluviômetro da cidade está desativido por falta de locação adequada [?]), que a intensidade da chuva aqui não foi significativamente maior ou mesmo distinta da do Rio. Podemos razoavelmente inferir que a geologia das duas cidades tão próximas também não devem ser tão diferentes assim, em especial em áreas passíveis de ocupação humana, já que Niterói não tem as belas, altas mas escarpadas e inabitáveis (encostas de) montanhas da cidade maravilhosa. Não há nada que indique também uma especial propensão dos niteroienses por arriscar suas vidas procurando locais impróprios e perigosos para construir seus lares e que portanto é razoável supor-se que um local de risco em Niterói onde ainda seja possível erguer-se uma moradia não seja em muito diferente de seus congêneres do Rio. Considerando-se todos esses aspectos, o que resta para ser distintivo e determinante para a escala do desastre que vivenciamos? Apenas a inação e a irresponsabilidade dos sucessivos e continuados governos municipais. Nesse sentido, soou como escárnio e um profundo desrespeito às inúmeras vidas perdidas, ainda com seus restos mortais insepultos e soterrados por lixo, à dor de seus familiares e ao nosso bom senso, a declaração do senhor prefeito Jorge Roberto da Silveira comparando o que ocorreu no morro do Bumba às verdadeiras tragédias naturais recentes do terremoto do Chile ou da tsunami do sudeste da Ásia. Senhor prefeito, tenha respeito!

Somos Responsáveis?

A tragédia que se abateu sobre o Rio de Janeiro e região metropolitana, em especial Niterói, desvelou a incúria de nossa sociedade ao mesmo tempo que soterrou vidas, famílias inteiras, sonhos e esperanças de muitos. Juntamente com a pronta e comovente solidariedade que prestamos aos sobreviventes, rapidamente culpamos gerações de (des)governantes por sua leniência, que por atos ou omissão criminosa permitiram que se instaurassem as condições para a catástrofe. É sim verdade que o populismo, o fisiologismo, a prática política miúda e desprovida de ética e do mínimo respeito à vida e a dignidade humana de inúmeros governos foram fatores decisivos para que a fúria momentânea da Natureza cobrasse a conta por tanto descaso. Mas é dolorosa verdade também que todos esses desgovernos foram alçados ao poder por nós. Eles foram, são e sempre serão nós mesmos. Também é verdade que todos, cidadãos, sociedade organizada ou não, imprensa inclusive, sempre soubemos da existência de famílias vivendo em condições de risco como os deslizamentos ocasionais de cada temporal, sempre ceifando vidas, insistiam em nos lembrar. Pode-se questionar também, sem julgar e com as devidas piedade e humildade de quem não tem maiores privações materiais, que chefes de família tenham “escolhido” colocar a si próprios e a seus entes queridos em situações de risco inaceitáveis. Então senhores, a inescapável e amarga conclusão é que o mal tem triunfado, por quê nós, “homens de bem”, não fizemos nada a respeito, ou pior, contribuímos com nossos votos para que isso se desse. Vamos continuar assim? O meu voto, ao menos, jamais será o mesmo e o meu arrependimento tentarei purgar com minha solidariedade aos meus sofridos concidadãos.